A influência de Bleach aparece em dois gigantes recentes dos animes: Jujutsu Kaisen e Demon Slayer.
- O legado de Bleach
- Jujutsu Kaisen e as marcas de Kubo
- Demon Slayer e os Cavaleiros de Ouro
- Inspiração não é cópia
O legado de Bleach
Tem obra que termina, mas continua aparecendo nas ideias de quem veio depois. Bleach é um desses casos. Tite Kubo, seu criador, contou que Gege Akutami, de Jujutsu Kaisen, e Koyoharu Gotouge, de Demon Slayer, já falaram pessoalmente sobre a influência do mangá em seus trabalhos.
E não estamos falando apenas de uma referência escondida para os fãs pausarem a tela e apontarem com o dedo. A conexão passa por conceitos de combate, personagens e organizações dedicadas a enfrentar ameaças sobrenaturais. Kubo, porém, não trata isso como se tivesse inventado sozinho tudo o que veio depois. Para ele, influências circulam entre gerações de artistas e ganham novas formas no caminho.
É uma visão bem mais interessante do que a velha caça ao plágio. Mangakás crescem lendo outros mangás, se apaixonam por certas ideias e, quando criam suas próprias histórias, misturam essas referências com aquilo que só eles poderiam imaginar.
Jujutsu Kaisen e as marcas de Kubo
Gege Akutami já apontou Bleach como uma das obras que o motivaram a virar mangaká. Dá para entender a conexão quando olhamos para o tipo de mundo que Jujutsu Kaisen constrói: existem ameaças sobrenaturais, personagens com habilidades muito particulares e grupos especializados em combater criaturas que o resto da sociedade mal consegue compreender.
A comparação entre feiticeiros e maldições, de um lado, e Shinigamis e Hollows, do outro, não transforma as séries na mesma história. Mas revela uma afinidade na maneira de organizar o conflito: cada ameaça exige uma resposta, cada personagem pode ter um estilo de luta próprio e as regras do universo ajudam a dar peso aos confrontos.
As influências também podem aparecer no temperamento dos personagens. As informações sobre o processo criativo de Akutami associam a brutalidade de Zaraki Kenpachi a aspectos de Aoi Todo e apontam Grimmjow Jaegerjaquez como uma referência para características de Sukuna. Não significa que os personagens sejam versões disfarçadas uns dos outros. Uma inspiração pode fornecer um ponto de partida, mas personalidade, contexto e escolhas narrativas fazem o resto do trabalho.
Demon Slayer e os Cavaleiros de Ouro
Em Demon Slayer, a semelhança mais fácil de notar está na função dos Hashiras. Eles são espadachins de elite que enfrentam demônios e ocupam um lugar especial dentro da organização dos caçadores. Em Bleach, os capitães do Gotei 13 também formam um grupo de combatentes poderosos, com identidades e estilos próprios.
As duas equipes não são intercambiáveis, claro. O que chama atenção é como uma estrutura narrativa pode ser reaproveitada sem que a história precise copiar os mesmos personagens ou conflitos. Um grupo de elite também é uma ótima maneira de apresentar novos estilos de luta, criar expectativas e deixar os fãs escolhendo seu favorito. Convenhamos: toda geração de shonen precisa de alguém que entre em cena e faça a gente pensar “ok, esse aí é apelão”.
E a própria ideia do Gotei 13 também tem raízes anteriores. Kubo explicou que os Cavaleiros de Ouro de Os Cavaleiros do Zodíaco estavam entre suas inspirações de infância. Ou seja, parte do que hoje associamos imediatamente a Bleach também nasceu do impacto de uma obra que veio antes.
Inspiração não é cópia
Essa corrente criativa não pertence só a Bleach. Kubo também cresceu admirando artistas como Akira Toriyama, de Dragon Ball, e absorveu influências que depois transformou em algo próprio. É assim que referências atravessam décadas: não como receita pronta, mas como faísca.
Por isso, saber que Jujutsu Kaisen e Demon Slayer carregam marcas de Bleach não diminui a originalidade de nenhuma das obras. Pelo contrário, ajuda a enxergar como cada autor pega elementos familiares e os ajusta ao seu próprio universo. Uma organização de combatentes, uma habilidade marcante ou um rival feroz podem até lembrar outra série, mas o que importa é o que o criador faz com essas peças.
No fim das contas, Bleach não está sozinho no topo de uma árvore de influências. Ele também faz parte de uma conversa longa entre artistas, que começou antes de Kubo e vai continuar depois dele. E, para quem ama mangá, perceber essas conexões é quase como encontrar uma segunda história escondida dentro da primeira.
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