O título original de Digger era bem diferente: Alejandro G. Iñárritu queria chamar o filme de Blah, Blah, Blah.
- De Blah, Blah, Blah a Digger
- Quando a língua vira arma
- Uma aposta de US$ 125 milhões
- A recepção dividida
De Blah, Blah, Blah a Digger
Antes de chegar ao público como Digger, o novo filme de Alejandro G. Iñárritu quase ganhou um nome que parece uma provocação de quem cansou de reunião: Blah, Blah, Blah. O diretor contou a história em entrevista ao IndieWire, explicando que a ideia do título tinha um sentido bem mais afiado do que apenas imitar conversa fiada.
A troca também muda bastante a primeira impressão. Blah, Blah, Blah soa irônico e até meio debochado; Digger, por outro lado, aponta diretamente para o protagonista. Tom Cruise interpreta Digger Rockwell, um barão do petróleo, então o título atual tem um ar mais ligado ao personagem e ao universo da história.
Não dá para saber, só pelo nome, qual das versões funcionaria melhor na tela. Mas a escolha inicial ajuda a entender que Iñárritu queria chamar atenção para algo além da figura de um magnata: o poder que as palavras têm de mexer com aquilo que acreditamos ser verdade.
Quando a língua vira arma
Para o diretor, a fala pode alterar a percepção que temos da realidade e até convencer alguém de que algo existe, mesmo sem estar diante dos olhos. É uma ideia simples de explicar, mas com bastante espaço para conflito dramático: palavras podem informar, manipular, seduzir e justificar decisões. Às vezes, fazem tudo isso na mesma conversa.
É daí que vem o peso de Blah, Blah, Blah. O título brinca com a expressão usada para desdenhar de um discurso, mas Iñárritu pensava justamente no potencial perigoso da linguagem. Não é só barulho de fundo. Em mãos habilidosas, conversa vira ferramenta de poder, e uma narrativa bem contada pode até disputar espaço com os fatos.
Essa leitura combina com uma história centrada em um homem poderoso como Digger Rockwell, embora o material divulgado não detalhe como esse tema aparece em cada cena. O que já dá para perceber é que o cineasta estava interessado em trabalhar com ideias menos seguras e mais provocadoras. E isso ajuda a explicar por que o título antigo tinha tanta personalidade.
Uma aposta de US$ 125 milhões
Iñárritu também elogiou a Warner Bros. e a Legendary por apoiarem o projeto. O orçamento estimado do longa é de US$ 125 milhões, um valor considerável para um filme que, segundo o diretor, não foi pensado para oferecer certezas fáceis. Em tempos em que estúdios costumam buscar fórmulas reconhecíveis, apostar numa produção de tom menos previsível é uma decisão que chama atenção.
O cineasta descreveu a realização como uma aposta grande e disse que as empresas não hesitaram em seguir adiante. Não é pouca coisa: financiar um longa desse porte envolve mais do que confiar em um nome conhecido como Tom Cruise. Também significa aceitar que a obra pode dividir opiniões, em vez de agradar todo mundo com uma receita já testada.
Claro que ousadia não garante que um filme vai funcionar para cada espectador. Mas, pelo menos no discurso de Iñárritu, Digger nasceu com espaço para tentar algo diferente. Para quem sente falta de produções que não parecem montadas por uma planilha de tendências, essa aposta tem seu apelo.
A recepção dividida
A reação da crítica, até o momento citado na reportagem, reflete essa falta de consenso: Digger aparece com 53% de aprovação no Rotten Tomatoes, com base em 113 resenhas. É um retrato de opiniões variadas, não um veredito definitivo sobre o que o público vai achar do longa. Nota agregada serve como termômetro, mas não substitui a experiência de assistir e formar a própria opinião.
A própria Warner entrou na conversa com uma campanha online que rebateu as avaliações mistas e convidou o público a decidir por conta própria. Estratégia de divulgação à parte, o recado combina com a natureza de um filme que parece provocar respostas diferentes. Se a intenção era fazer todo mundo concordar, os números não apontam nessa direção. Se era gerar debate, pelo menos a conversa começou.
E tem algo curioso nessa história: o título descartado falava sobre o poder das palavras, e agora o filme está cercado por elas, entre críticas, defesas e expectativas. Blah, Blah, Blah talvez resumisse esse ruído todo. Mas Digger é o nome que ficou, e a pergunta agora é se a aposta de Iñárritu vai conquistar quem prefere tirar as próprias conclusões.
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