Dom de Iludir junta Marieta Severo, Alice Wegmann e Nanda Costta numa trama de família, mistério e golpe.
- Novela com ritmo de série
- Uma herdeira numa gaiola de ouro
- Famílias amorosas e perigosas
- Dez episódios e muitas reviravoltas
Novela com ritmo de série
Tem Rio de Janeiro, gente rica circulando de motorista, segredos familiares e uma música de Caetano Veloso na abertura. A receita de Dom de Iludir não tenta esconder suas raízes: é melodrama brasileiro, mas embalado como série de streaming, com dez episódios e uma trama policial puxando o fio da história.
A produção estreia na Netflix em 28 de outubro de 2026, com todos os capítulos disponíveis de uma vez. Ou seja, a plataforma entrega o pacote completo para quem gosta de dizer “só mais um” até perceber que já amanheceu. A narrativa também passeia por diferentes linhas do tempo, recurso que ajuda a guardar revelações para depois.
O elenco é um dos grandes chamarizes: Marieta Severo interpreta Lúcia Rossetti, Alice Wegmann vive sua filha Maíra e Nanda Costta aparece como Irina Petrov, uma curandeira que promete uma solução milagrosa para a doença da jovem. A direção-geral é de Mauro Mendonça Filho, conhecido por trabalhos como O Astro e Verdades Secretas.
Uma herdeira numa gaiola de ouro
Maíra é herdeira de uma fortuna estimada em R$ 1 bilhão, mas dinheiro não significa liberdade quando outra pessoa controla cada passo. A jovem depende da mãe até para decisões pequenas e vive isolada numa vida confortável por fora, mas sufocante por dentro. A doença misteriosa que vai enfraquecendo seu corpo deixa a situação ainda mais urgente.
Lúcia, tentando encontrar uma saída, aceita a indicação de um desconhecido e procura Irina. Só que a promessa de cura vem acompanhada de um plano muito menos espiritual: a família Petrov está armando um golpe contra os Rossetti, de olho na coleção milionária de quadros da família. A pergunta deixa de ser apenas o que está acontecendo com Maíra e passa a incluir quem está usando quem.
Esse conflito dá à série um motor que vai além do romance ou da disputa entre parentes. A coleção de arte, a fortuna e a vulnerabilidade de Maíra criam um tabuleiro no qual afeto e interesse podem ocupar a mesma casa. E, convenhamos, família rica com segredos já rende confusão; quando entra uma suposta cura milagrosa, o alerta de golpe acende até para quem costuma acreditar em qualquer personagem de jaleco.
Famílias amorosas e perigosas
O drama não trata as famílias como vilãs de desenho animado. Os núcleos Rossetti e Petrov têm vínculos e sentimentos reais, mas também carregam relações tóxicas, zonas nebulosas e formas complicadas de demonstrar afeto. É aí que o melodrama pode encontrar sua melhor matéria: gente que se ama, mas nem sempre sabe fazer isso sem machucar alguém.
Marieta Severo destacou justamente essa mistura de amor e dificuldade ao falar sobre a série. Já Nanda Costta comentou que a história a fisgou desde a leitura do roteiro, especialmente pela quantidade de acontecimentos que surge logo nos primeiros episódios. Alice Wegmann também elogiou a parceria com as colegas. A admiração entre as atrizes parece ter sido um ponto forte nos bastidores, com Marieta servindo de referência para as companheiras de elenco.
Para Nanda, interpretar Irina também teve um peso pessoal: depois de um período com menos trabalho, enquanto priorizava a vida com as filhas, o papel representou uma retomada do protagonismo profissional. É um detalhe que conversa com a própria série, cheia de personagens tentando recuperar algum controle sobre as escolhas e os caminhos que lhes foram impostos.
Dez episódios e muitas reviravoltas
O diretor Mauro Mendonça Filho descreve a narrativa policial como o centro da produção, com os personagens conduzindo uma história pensada para avançar depressa. O resultado promete uma sucessão de viradas, mudanças de percepção e personagens que talvez não sejam exatamente quem pareciam no começo. A série ainda brinca com o misticismo, algo que combina bastante com a figura de Irina e com o fascínio brasileiro por explicações que escapam ao racional.
A abertura, com imagens conhecidas do Rio e Liniker cantando “Dom de Iludir”, de Caetano Veloso, já dá o tom: glamour, contradição e uma certa ironia no ar. A música não está ali só para decorar a paisagem; o título também combina com uma história em que aparência, sedução e mentira parecem andar de mãos dadas.
Com dez capítulos, elenco experiente e uma premissa que mistura herança, doença misteriosa e fraude, Dom de Iludir tem ingredientes para agradar quem sente falta de um melodrama cheio de intriga, mas prefere uma maratona curta. O truque será equilibrar as reviravoltas com personagens que pareçam gente de verdade. Se conseguir, a série pode transformar uma história de golpe num daqueles dramas brasileiros difíceis de largar no meio.
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