Euphoria: Lexi pode devolver a identidade da série

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Euphoria parece ter encontrado um elemento capaz de recuperar parte da identidade que marcou seus primeiros anos na HBO, mas ainda assim pisa no freio quando o assunto é colocar Lexi Howard no centro do palco.

Lexi Howard como peça-chave para reativar o “clima” da série

Depois de uma mudança clara no tom, a terceira temporada de Euphoria passou a girar mais em torno de tramas maiores, com guerra criminosa ocupando as cenas e deixando as origens meio que em modo “scroll infinito”. E olha, não é que o novo caminho seja ruim por si só. É que ele dilui uma coisa que a série tinha lá no começo: aquele foco íntimo, quase claustrofóbico, nas escolhas ruins de adolescentes tentando sobreviver emocionalmente.

É aí que entra Lexi Howard (Maude Apatow). Em vez de ficar só como observadora, a personagem ganha um tipo de protagonismo indireto. O arco recente mostra Lexi trabalhando como assistente em Hollywood e recebendo a chance de escrever um roteiro dentro do universo de Euphoria, com influência direta da imagem e da trajetória de Cassie. É como se o roteiro dissesse: “ok, agora você também mexe no tabuleiro”.

Quando a série sugere eliminar a personagem inspirada em Cassie do projeto, a sensação é de que Lexi finalmente deixa de ser apenas a pessoa que assiste tudo acontecer. Ela passa a ter impacto, e isso é exatamente o tipo de tensão que faz Euphoria soar como Euphoria.

O roteiro dentro do universo: escrever como controle

Tem uma sacada bem meta aqui. Na segunda temporada, Lexi usou uma peça teatral para colocar pra fora sentimentos reprimidos e recontar a convivência com quem estava perto demais. Só que, agora, a série leva isso para um lugar mais sombrio: transformar experiências pessoais em narrativa, com a mão em cima do que deve ser mostrado ou apagado.

Nesse sentido, escrever vira uma forma de controle. E não aquele controle bonitinho. É o controle de quem entende que, ao virar história, as pessoas passam a existir de um jeito que pode machucar. A ideia de “editar a realidade” vira tema, e isso tem tudo a ver com a adolescência de Euphoria: manipulação, vergonha, fantasia, arrependimento e aquela raiva silenciosa que explode tarde.

O arco também tem espaço para aprofundar conflitos internos da personagem, só que o desenvolvimento não segura a empolgação por tempo suficiente. A história dá as pistas, mas demora para transformar as pistas em consequências fortes para Lexi.

O que ficou para trás com a expansão do foco

O problema é simples, porém meio cruel: quando Euphoria encontra um caminho que encaixa no DNA original, ela volta a dividir atenção com outras frentes. Cassie continua dominando boa parte do foco, especialmente com a trama ligada a uma nova carreira e a sequência de decisões extremas que a deixam cada vez mais distante do que era antes.

Enquanto isso, Lexi aparece, acende uma faísca, sugere uma evolução importante e depois recua. Resultado? Ela fica com menos espaço do que poderia ter em uma temporada que está tentando ser outra coisa. Dá aquela sensação de que o roteiro sabe onde quer chegar, mas prefere economizar na caminhada.

Em termos de narrativa, o arco de Lexi tem potencial para ser a “âncora emocional” da temporada. E isso ajudaria até a equilibrar a densidade da guerra criminosa com algo mais íntimo, como nos melhores momentos da HBO quando decidiu apostar alto em personagens que pareciam reais demais.

Por que esse retorno conversa com a HBO de antes

O que deixa tudo mais interessante é como a série tenta recuperar a linguagem que fez sucesso nos primeiros anos: provocar desconforto sem perder a verdade emocional. E Lexi é o veículo perfeito pra isso. Ela vive no limite entre observar e interferir, entre testemunhar e escrever, entre guardar e expor.

Inclusive, esse tipo de abordagem é bem associada ao estilo da HBO quando falamos de drama provocativo e personagens em colapso, daquelas histórias que não pedem desculpa e nem tentam agradar o público. Um bom exemplo da própria vibe de produção e posicionamento da rede pode ser visto em materiais oficiais como os do perfil de conteúdo da HBO.

Se Euphoria continuar insistindo apenas na expansão de conflitos maiores, Lexi vira coadjuvante do próprio “motor narrativo”. Mas se a série apostar de verdade nessa mudança de perspectiva, com Lexi interferindo e carregando consequências, aí sim ela reencaixa a identidade antiga: aquela mistura de poesia amarga, trauma e escolhas que não voltam para a caixa.

Será que Lexi ainda vai assumir o controle de Euphoria?

No fim, parece que Euphoria achou uma peça capaz de reativar parte da identidade dos primeiros anos. O arco de Lexi mostra evolução real, com o ato de escrever virando arma e cura ao mesmo tempo. Só que a temporada ainda não decidiu apostar firme nisso, deixando a personagem com espaço menor do que o potencial indica.

Talvez o próximo episódio empurre a história para aquele território onde a série sempre foi mais forte: o de fazer a gente sentir que cada cena tem peso, mesmo quando o caos está gigante. E, sinceramente? Lexi já tinha tudo para ser a chave desde o começo. Agora é torcer pra ela não ficar só como promessa.

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