Klara e o Sol: Taika Waititi parte para o ataque

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Klara e o Sol recebeu críticas duras, e Taika Waititi respondeu chamando críticos de “almas perdidas e tristes”.

A resposta de Taika

Taika Waititi não costuma ser conhecido pela falta de personalidade, então a reação do diretor à recepção de Klara e o Sol veio com os dois pés na porta. Em uma publicação no Instagram durante o Halloween, ele alfinetou a crítica especializada depois que seu novo filme, estrelado por Jenna Ortega, recebeu avaliações bastante negativas.

O cineasta afirmou que não lê críticas sobre seus trabalhos há quase 15 anos, mas que escuta as pessoas. Em seguida, direcionou a conversa aos críticos: descreveu-os como “almas perdidas e tristes” e sugeriu que seriam artistas frustrados por não terem realizado o sonho de criar. Aí a provocação deixou de ser apenas uma defesa do filme e virou uma discussão sobre quem tem legitimidade para avaliar uma obra.

Confira a publicação de Waititi:

https://www.instagram.com/p/DfK3i4MvdRP/

O que ele disse sobre os críticos

Waititi também chamou os críticos de irrelevantes, desconectados da realidade e obsoletos. Para reforçar o argumento, citou Jojo Rabbit, dizendo que as mesmas pessoas também odiaram aquele filme. É uma defesa compreensível no calor do momento, mas convenhamos: transformar uma nota baixa em prova de que o avaliador é frustrado não é exatamente um contra-ataque irrefutável.

Crítica não é sentença divina, muito menos manual obrigatório para escolher o que assistir. Ainda assim, discordar de uma avaliação faz parte da conversa sobre cinema. E reduzir quem escreve sobre filmes a alguém que “não conseguiu ser artista” acaba desviando o foco da pergunta mais interessante: por que Klara e o Sol não funcionou para tanta gente?

O público, aliás, não está no mesmo lugar que os críticos. No Rotten Tomatoes, o filme aparece com 26% de aprovação da crítica e 78% do público. A diferença mostra que há espectadores que encontraram qualidades no longa, mesmo diante de uma recepção profissional bem mais fria.

A recepção de Klara e o Sol

Os outros números também desenham um cenário difícil. A produção registra média 30 no Metacritic e nota 6,4 no IMDb. Entre as avaliações negativas, a Variety descreveu o longa como uma fantasia desastrosa, enquanto o Los Angeles Times também publicou uma crítica desfavorável.

Nas bilheterias dos Estados Unidos, a estreia arrecadou cerca de US$ 720 mil em 880 salas e colocou o filme na 15ª posição do ranking. Não é o tipo de começo que ajuda uma produção a ganhar fôlego, embora bilheteria e qualidade artística sejam conversas diferentes. Um filme pode fracassar comercialmente e ainda encontrar seu público depois; também pode agradar muita gente sem convencer a crítica.

Baseado no romance homônimo de Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura, o longa acompanha Klara, uma amiga artificial vivida por Ortega. Escolhida por Josie, adolescente com problemas de saúde interpretada por Mia Tharia, ela conhece a família da garota e tenta ajudá-la. Amy Adams, Natasha Lyonne e Steve Buscemi também estão no elenco.

O debate continua

É justo que Waititi defenda o próprio trabalho. O problema é quando a defesa vira ataque pessoal e tenta invalidar qualquer leitura que não combine com a sua. Um diretor pode achar uma crítica injusta, discordar dela em público e até fazer piada com a situação. Mas chamar os críticos de fracassados não explica o que deu errado no filme, nem convence quem já saiu da sessão com ressalvas.

No fim, os números não encerram a conversa: só mostram que Klara e o Sol dividiu opiniões e teve um começo comercial fraco nos Estados Unidos. Para quem está curioso, a discrepância entre crítica e público pode ser justamente um convite para assistir e formar o próprio veredito. Só não espere que a discussão sobre o filme fique restrita à tela: por enquanto, Taika parece mais interessado em discutir quem está sentado na plateia da crítica.

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