Livro sobre animes: 200 resenhas em seis décadas

Twitter
LinkedIn
Threads
Telegram
WhatsApp

Um livro sobre animes revisita mais de seis décadas de animação japonesa em 200 resenhas.

Um guia que olha para além da nostalgia

Tem livro que serve para matar a saudade de uma abertura que a gente cantava sem saber japonês. E tem livro que usa essa lembrança como porta de entrada para uma conversa maior. Anime-se³: Animês, de Roger Armstrong, com coautoria do roteirista e arte-educador Wlady Pereira, promete fazer as duas coisas: reúne mais de 200 resenhas e percorre a história da animação japonesa por mais de 60 anos.

A proposta não é só empilhar títulos famosos numa lista para fãs conferirem quantos já viram. A obra também discute mudanças estéticas, tecnológicas e comerciais, além do caminho que levou os animes a cruzarem fronteiras e encontrarem públicos muito diferentes. É um recorte que pode interessar tanto a quem cresceu com Cavaleiros do Zodíaco quanto a quem chegou ao universo por Naruto ou Pokémon.

E esse olhar histórico importa. A animação japonesa não virou fenômeno mundial da noite para o dia, como se alguém tivesse apertado um botão de transformação no meio de um episódio. Antes da popularidade, houve resistência, censura e preconceito, além de fãs empenhados em encontrar, compartilhar e preservar essas obras.

De Astro Boy aos fenômenos globais

O passeio começa com Astro Boy, de 1963, e atravessa diferentes épocas e estilos. Pelo caminho aparecem produções como King Kong, de 1966, e The Adventures of Tom Sawyer, de 1980, até chegar a títulos que marcaram presença forte entre os fãs brasileiros.

Estão nesse grupo Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, ambos de 1986, Sailor Moon, de 1992, e Pokémon, de 1997. Não é pouca coisa: são obras que ajudaram a transformar tardes diante da TV em memória afetiva coletiva. E, convenhamos, muita amizade já começou com uma discussão sobre qual Cavaleiro era o mais legal.

Naruto ganha um capítulo exclusivo, dedicado às mudanças provocadas pela série. A escolha faz sentido: além da repercussão internacional, a obra acompanha uma fase em que os animes passaram a circular por mais caminhos do que a televisão tradicional. Para quem gosta de observar como uma produção atravessa gerações, esse tipo de recorte pode render uma leitura interessante.

Fandom também faz história

Um dos aspectos mais bacanas da proposta é não tratar os fãs como plateia silenciosa. O livro também olha para o papel dos fandoms na divulgação e na preservação dos animes, tanto nos períodos em que essas produções enfrentavam obstáculos quanto na era das redes sociais e das comunidades online.

Essa participação muda a forma de contar a história. Uma série pode até ser produzida no Japão, mas sua trajetória internacional também passa por quem comenta episódios, compartilha recomendações e cria vínculos em torno dos personagens. No Brasil, onde muita gente conheceu essas obras pela TV, a lembrança de uma dublagem ou de um horário específico faz parte dessa experiência.

Na parte final, Armstrong e Pereira organizam discussões em doze temas. Entre eles estão protagonismo feminino, gênero e androginia, a contribuição de nomes importantes da animação japonesa e as relações criadas entre as obras e seus públicos. É um caminho para sair do clássico debate sobre quem venceria numa luta e pensar no que essas histórias dizem sobre a época em que foram feitas.

Por que esse resgate importa

O valor de um guia assim está em aproximar gerações sem fingir que todo anime é igual. A animação japonesa mudou de linguagem, de tecnologia e de alcance; também encontrou novos formatos e plataformas. Reunir mais de 200 resenhas ao lado de uma discussão histórica oferece ao leitor diferentes portas de entrada: dá para buscar um título querido ou descobrir obras que ficaram fora do radar.

Anime-se³: Animês é apresentado como o primeiro volume de uma série que pretende abordar também escolas de animação dos Estados Unidos e da Europa. A ideia amplia o assunto para além do Japão e convida a comparar como diferentes culturas contam histórias com imagens em movimento.

Para o fã veterano, pode ser uma viagem por lembranças que ainda vêm acompanhadas de música de abertura na cabeça. Para quem está começando, funciona como um mapa de décadas de produção. E, para todos nós, fica uma boa provocação: anime não é só entretenimento de uma temporada. Às vezes, é uma parte inteira da nossa memória.

Sugestão para o seu Set-up Nerd:

Encontramos produtos incríveis com desconto!

Ver mangás de comédia romântica escolar na Amazon