S.S. Rajamouli ainda quer Hollywood, mas escolheu Varanasi

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S.S. Rajamouli recebeu propostas de Hollywood, mas preferiu terminar primeiro seu próximo projeto indiano, Varanasi.

Hollywood bateu à porta

Depois que RRR: Revolta, Rebelião, Revolução conquistou o público internacional e colocou S.S. Rajamouli no radar de Hollywood, começaram a surgir ofertas para o cineasta. Em conversa com o Omelete durante sua passagem pelo Brasil, o diretor confirmou que recebeu várias propostas. Algumas, segundo ele, continuam disponíveis.

É o tipo de convite que costuma alimentar a ideia de que todo diretor que ganha projeção global precisa, mais cedo ou mais tarde, assumir uma superprodução americana. Rajamouli não descartou essa possibilidade, mas também não correu para escolher qualquer projeto só porque a indústria abriu a porta. E, convenhamos, depois de criar o espetáculo grandioso de RRR, faz sentido querer escolher com cuidado o próximo passo.

O cineasta disse que tem vontade de fazer pelo menos um filme em Hollywood. Um detalhe importante: o interesse não foi apresentado como uma mudança definitiva de endereço ou como abandono do cinema indiano. Para Rajamouli, trabalhar nos Estados Unidos seria uma oportunidade de conhecer de perto uma estrutura de produção que ele considera admirável.

Um projeto por vez

O motivo para não aceitar uma das propostas agora é bem menos misterioso do que uma disputa de bastidores. Quando os convites chegaram, Varanasi já estava em desenvolvimento. E Rajamouli explicou que não é o tipo de profissional que consegue dividir a atenção entre várias produções ao mesmo tempo: prefere concluir um filme antes de concentrar a cabeça no seguinte.

Essa escolha pode parecer pouco glamourosa diante da possibilidade de entrar em Hollywood, mas é uma postura que combina com um diretor conhecido por projetos de grande escala. Filmes como RRR exigem planejamento, energia e uma quantidade generosa de atenção aos detalhes. Tentar tocar dois longas simultaneamente poderia transformar a agenda em uma sequência de cenas de ação sem intervalo para respirar.

Também há algo interessante nessa decisão: Rajamouli não parece tratar Hollywood como um troféu que precisa ser conquistado imediatamente. Ele quer experimentar o sistema, aprender com ele e trabalhar em um filme de lá, mas sem abandonar o compromisso que já havia assumido na Índia. É uma ambição que não precisa apagar a outra.

Agora, a vez de Varanasi

O projeto que ocupa o primeiro lugar na fila é Varanasi, produção indiana com estreia prevista para abril de 2027. Foi esse compromisso já em andamento que pesou quando as ofertas americanas começaram a aparecer. Em vez de interromper o trabalho para embarcar em outro longa, Rajamouli decidiu seguir o plano e terminar o filme que já estava preparando.

Para quem acompanha o diretor, a notícia também reforça que o sucesso internacional de RRR não o afastou de suas raízes criativas. A oportunidade de trabalhar em Hollywood existe, mas o próximo capítulo ainda será contado por meio de uma produção indiana. Não é uma escolha contra os Estados Unidos; é uma escolha a favor do projeto que já estava na mesa.

Essa diferença importa. Às vezes, a conversa sobre expansão internacional vira uma contagem regressiva para o cineasta “chegar” a Hollywood, como se o reconhecimento só ficasse completo depois disso. Rajamouli mostra que dá para ter curiosidade sobre uma indústria estrangeira e, ao mesmo tempo, priorizar a própria trajetória.

Hollywood ainda está no mapa

Então não: Rajamouli não fechou as portas para Hollywood. Ele afirmou que gostaria de fazer pelo menos um filme nos Estados Unidos, elogiou a ética e a estrutura de trabalho da indústria e disse que vê espaço para aprender com essa experiência. Só não quer começar esse capítulo enquanto Varanasi ainda precisa ser concluído.

Quando o filme estiver pronto, o diretor pretende voltar a avaliar essa possibilidade. Até lá, o cenário é simples: várias propostas seguem em aberto, mas nenhuma delas passa na frente do longa indiano que já ocupa sua agenda. Para o público, isso significa esperar um pouco mais por qualquer anúncio hollywoodiano e acompanhar primeiro o que Rajamouli está preparando em casa.

E talvez seja justamente esse o ponto mais legal da história. Hollywood pode oferecer escala, recursos e uma estrutura tentadora, mas não transforma automaticamente todo cineasta em alguém que precisa largar o próprio caminho. Rajamouli quer cruzar essa fronteira, sim. Só que, antes de embarcar, vai terminar o filme que já começou.

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