Morrer Feito Homem: Irandhir Santos vira policial [REVELADO]

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Morrer Feito Homem ganhou novos detalhes: Irandhir Santos vai viver um policial no interior de Goiás nos anos 1990, em um filme de Erico Rassi que promete cutucar temas espinhosos.

Entenda a premissa: policial, boatos e um mundo machista

O longa Morrer Feito Homem começou a fase de filmagens pela RT Features, com Erico Rassi na direção e Irandhir Santos como Edvaldo. A história se passa no interior de Goiás nos anos 1990 e parte de uma situação bem concreta: Edvaldo, um policial, é encarregado de investigar uma chacina em um bar.

Só que o roteiro não fica preso no mistério tradicional. Conforme a apuração avança, rumores sobre a sexualidade de Edvaldo começam a circular e o que deveria ser uma investigação vira um teste de sobrevivência social. A autoridade dele, literalmente, começa a desmoronar. E aí entra o ponto mais forte do filme: a tensão entre violência e vulnerabilidade dentro de uma sociedade machista, onde a reputação pesa mais do que a verdade.

Por que o clima dos anos 90 pesa (e muito)

Ambientar em décadas passadas costuma ser só “estilo”. Aqui, parece que é tema. Nos anos 90, a narrativa tende a explorar como o controle social funciona no cotidiano. Pense na lógica do “todo mundo sabe”, que espalha boatos mais rápido do que qualquer prova. No caso do Edvaldo, isso não vira só fofoca: vira sentença.

O filme também mira questões que ainda são atuais: crise da masculinidade, homofobia e machismo estrutural. E, do jeito que o lançamento foi descrito, a ideia não é tratar esses assuntos como panfleto, e sim como combustíveis para conflito. Quando o protagonista é excluído da corporação e rejeitado pela comunidade, a sensação é de que o mundo inteiro fecha a porta.

Drama, policial e western: a mistura que pode dar certo

O marketing já avisou: o longa mistura drama, policial e western. Traduzindo para quem curte cultura pop: é como se o filme quisesse ter aquele peso de investigação e, ao mesmo tempo, a estética de fronteira e honra quebrada típica dos westerns.

Essa combinação é perigosa, porque western e policial podem ficar “soltos” se não tiver amarração. Mas se funcionar, o resultado tende a ser um tipo de tensão bem específica: a de um homem pressionado até o limite, tentando recuperar espaço e sentido. A vingança, nesse caso, aparece como consequência de humilhação e perda de pertencimento, não só como ação vazia.

Curioso também é que, no fim das contas, a resolução do crime no bar parece ficar em segundo plano. O foco vira a trajetória do Edvaldo, o preço que ele paga e como a violência pode ser tanto externa quanto interna. É aquele tipo de filme que dá vontade de conversar depois, tipo debate de série no fim da temporada.

Elenco e locações: onde a história vai ganhar vida

Além de Irandhir Santos, o elenco conta com Rodrigo Garcia, Digão Ribeiro, Enio Cavalcante e Laura Lufesi. As gravações acontecem em Alvorada do Norte, a cerca de 456 km de Goiânia, o que reforça a proposta de imersão no interior.

Em declaração citada no anúncio, Rodrigo Teixeira, fundador e produtor da RT Features, destacou que, mesmo sendo uma história na década de 90, o filme aborda temas que continuam latentes na sociedade. Para quem curte cinema brasileiro com olhar social e tempero de gênero, esse posicionamento costuma ser um bom sinal.

Se você quiser conferir mais sobre a carreira de Irandhir Santos, a página da Wikipédia ajuda a contextualizar o tamanho da presença do ator em projetos marcantes.

Você acha que esse tipo de filme chega perto do que a gente vive?

Morrer Feito Homem parece querer fazer o espectador encarar uma verdade desconfortável: boato, preconceito e violência podem virar rotina disfarçada. E aí vai a pergunta que importa: quando o sistema aperta, o protagonista consegue reagir sem virar só mais um personagem engolido pela própria sociedade?

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